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    A InterPlayers procurava um aporte de capital e a Oria queria investir: a história de um casamento feliz

    Paulo Sergio Caputo, sócio da Oria Capital, conta como o hub de negócios entrou no radar de sua gestora de investimentos.
    Cláudia de Castro Lima | 7 jan 2021

    A decisão de fazer um investimento não se restringe às primeiras impressões ou aos resultados do passado de uma empresa. É preciso haver compatibilidade de interesses e planejamento de futuro para que o negócio dê certo. Em setembro de 2013, as páginas de economia dos meios de comunicação anunciavam um desses investimentos bem-sucedidos.

    A InterPlayers informava a entrada da DLM Invista como participante minoritária no grupo, com 25%. Gestora especializada em fundos multimercados, de ações e de participações, a DLM fazia o investimento por meio de seu fundo de private equity, o DLM Brasil TI.

    O encontro inicial havia se dado alguns meses antes. Paulo Caputo e Jorge Steffens, sócios da atual Oria Capital, mapeavam o mercado atrás de companhias já maduras para aplicar seus recursos. “Tínhamos algumas teses de investimento e começamos a procurar empresas que se encaixassem nelas”, diz Paulo.

    Uma das teses era investir em empresas com soluções de TI para saúde. “Queríamos investir na parte de logística pela importância que tem na cadeia de valor da saúde, sempre procurando soluções SaaS que fizessem um produto chegar ao seu destino de forma mais rápida, mais barata e mais segura. E a InterPlayers apareceu assim”, diz ele, “com um modelo de rede inovador e único”.

    MAIOR ATIVO: ANOS DE EXPERIÊNCIA EM TECNOLOGIA

    Quando definiram as teses de investimento, todas voltadas à tecnologia de informação, Paulo sabia do que estava falando. Ele e Jorge acumulavam anos de experiência na área trabalhando na Datasul, empresa fundada em 1978 em Joinville, Santa Catarina.

    Em 2008, quando completava 30 anos, a companhia protagonizou uma das maiores fusões do mercado de tecnologia ao ser incorporada pela Totvs, por R$ 700 milhões.

    Na Datasul desde 1996, Paulo havia transitado por vários departamentos. Ocupou a cadeira de diretor no financeiro, em novos negócios, nas áreas de serviços, clientes e comercial. “Quando entrei, ela era uma empresa de cerca de R$ 40 milhões de faturamento e, quando a vendemos, de cerca de R$ 400 milhões”, diz ele. “Passamos por tudo nesse tempo, de mudanças tecnológicas a vários planos econômicos.”

    Uma das pioneiras no desenvolvimento de sistemas de gestão empresarial no país, a Datasul começou operando uma consultoria para a implementação de sistemas de processamento de dados. Nos anos 1980, cresceu calcada na consolidação dos PCs como ferramentas de gestão empresarial.

    Em 1982 a Datasul lançou seu primeiro software de gestão administrativa e de controle de produção. Três anos depois, ele evoluiu para o sistema Datasul Magnus, um marco no mercado. Disputando o mercado de grandes e médias empresas, especialmente no segmento de soluções de gestão para indústrias, a empresa expandiu sua atuação para fora do país.

    Nos anos 2000, ela já tinha em seu portfólio soluções de BI (Business Intelligence), CRM (Customer Relationship Management) e serviços de outsourcing, entre outros. Absorveu uma série de concorrentes até acontecer a fusão com a Totvs.

    Paulo viu essa aquisição como o fim de um ciclo. E, junto de Jorge, avaliou que talvez fosse a hora de empreender. “Pensamos em um gestora [asset], para captar investimentos de terceiros e investir em empresas de tecnologia – aliando recursos financeiros e conhecimento em tecnologia.”

    A COMPLEXIDADE DE EMPREENDER

    Formado em direito e em administração, Paulo Caputo era um apaixonado também por tecnologia – seu primeiro emprego, aos 15 anos de idade, foi como operador e programador de computador. No entanto, trabalhou em escritórios de advocacia e na RBS, afiliada da Globo no Rio Grande do Sul, até voltar a se encontrar com a área.

    A tecnologia voltou para sua vida quando ele pensou em empreender pela primeira vez. Percebeu, na RBS, que a internet havia chegado para revolucionar o mundo.

    Em 1993, saiu da emissora e abriu uma agência para desenvolver sites para a internet. “A empresa não deu certo, mas me trouxe uma boa experiência de como é complexo empreender.”

    Em 1996, Paulo foi convidado para ser diretor financeiro da Datasul. “Acabei fechando minha agência e na Datasul começou de fato minha vida na área de tecnologia”, conta.

    “SÓ DINHEIRO NÃO É SUFICIENTE”

    Saídos da Datasul e com a ideia de empreender, Paulo Caputo e Jorge Steffens resolveram, num primeiro momento, associarem-se à gestora DLM. “A gente conhecia muito de tecnologia, mas não conhecia nada de mercado financeiro”, afirma Paulo.

    Por isso, os dois eram responsáveis pelos fundos ilíquidos – os fundos de investimento: private equity e venture capital. Os demais sócios da DLM cuidavam dos fundos abertos.

    “Em 2015, nos separamos. “Ficamos, eu e Jorge, com a parte de Fundos Iliquidos”, conta ele. “E assim nasceu a Oria Capital.” Hoje, o fundo tem sob sua gestão cerca de R$ 1,3 bilhão em 12 empresas e conta com 14 pessoas – e a InterPlayers foi com eles.

    A ideia da gestora que Paulo e Jorge criaram não era apenas aplicar recursos financeiros nas empresas que mais se encaixavam em suas teses de investimento. Era, sim, aplicar o chamado smart money.

    “Nós colocamos para nossas investidas sempre uma outra observação: entendemos que o dinheiro é importante, mas não é suficiente. Só dinheiro não basta”, conta Paulo.

    Ele explica que a Oria Capital é uma investidora ativa. “Gostamos de participar, de ajudar, de ter envolvimento maior na companhia”, afirma. “Queremos de ser vistos como um recurso que a companhia tem para desenvolver novas soluções ou negócios, e não só simplesmente alguém que põe dinheiro e fica vendo os números do demonstrativo de resultados a cada dois, três meses”, explica.

    “Obviamente não sabemos tudo do mercado, nem temos essa pretensão”, continua Paulo. “Mas a gente entende que pode ajudar bastante as empresas a crescer rapidamente, agregando conhecimento em marketing, distribuição, vendas, tecnologia, desenvolvimento e no setor financeiro, além do planejamento estratégico. Isto ajuda as empresas a serem mais eficientes ou a evitarem algumas armadilhas no meio do caminho.”

    COMO A INTERPLAYERS ENTROU NO RADAR

    Para definir em quais empresas investir, Paulo e Jorge sempre começam olhando para o setor no qual pretendem atuar. Entre as teses de investimento estabelecidas por eles estavam soluções de Big Data, Internet das Coisas (IoT), fintech, logística e TI para saúde.

    “Pensávamos o que poderia evoluir nesse segmento e, com base nisso, descobrimos a InterPlayers”, diz o sócio. Eles procuraram Arnaldo Sá Filho, cofundador e presidente da empresa. “O interessante é que, naquele momento, eles estavam se organizando para uma captação”, lembra Paulo Caputo.

    “Vimos na InterPlayers a possibilidade de criar aquilo que hoje ela está fazendo, o chamado de ‘hub de negócios’”, conta. “Algo que pode ser extremamente interessante para a cadeia de valor.”

    Uma das grandes vantagens que os atuais sócios da Oria perceberam na InterPlayers foi a rede que a empresa conseguiu montar conectando varejo, indústria e distribuidores. “O fator de decisão para investirmos foi ela ter conseguido fazer isso”, afirma.

    “A InterPlayers tem um papel fundamental na cadeia de suprimento, atuando tanto na parte de logística quanto na de healthcare”, ele analisa. “Esse caminho do fabricante de medicamento até o paciente é historicamente ruim, e a empresa está ajudando a melhorar.”

    Uma das primeiras sugestões dos novos sócios para a InterPlayers foi incrementar sua área de tecnologia. “Apresentamos eles para a ECS, que hoje é a área de tecnologia do hub”, diz Paulo – dando spoiler de uma história que vai ser contada numa próxima matéria.

    O empreendedor conta que, de forma geral, o setor de saúde deve investir nos próximos anos muito em tecnologia. E ela vai ter alguns papeis importantes.

    “O primeiro deles é fazer com que as coisas funcionem, que a cadeia de valor funcione. O segundo é garantir que vá tudo funcionar rápido”, enumera.

    E o terceiro? “Quando você consegue que a indústria chegue no médico e ao paciente, é preciso integrar tudo e entender a jornada de todos no processo”, responde.

    “E é exatamente esse o conceito da InterPlayers. Integrar a cadeia de valor e gerar conhecimento para atender todos os seus membros, sempre privilegiando a figura do paciente, o foco principal.”


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