• Saiba como a RadarFit cresceu 1000% em 2020 usando Inteligência Artificial e gamificação para melhorar a saúde das pessoas

    Jade Utsch, Tatiany Ribeiro e Jennifer de Faria (da esq. para a dir.): a startup criada pelas três empreendedoras mineiras pretende, por meio de um game fitness, transformar hábitos saudáveis em algo mais acessível – e divertido.
    Lucas Baranyi | 3 nov 2020

    Atire o primeiro halter de 3 quilos quem nunca desistiu de praticar atividade física porque, apesar de suar a camiseta, não via os ponteiros da balança descerem na velocidade que esperava. 

    Foi pensando em solucionar essa dificuldade que as pessoas têm de levar uma vida saudável que as mineiras Jade Utsch Filizzola, Jennifer de Faria e Tatiany Ribeiro fundaram, no fim de 2017, a startup RadarFit.

    “As pessoas têm dificuldade de ter uma vida mais saudável por causa da falta de recompensa imediata”, explica Jade, CEO da empresa.

    “Como elas não têm um resultado fitness imediato, ficam desmotivadas e não conseguem ter disciplina para manter a rotina saudável.” 

    A empreendedora continua: “Você vai na academia, malha uma hora e não sai de lá instantaneamente com o corpo que você quer. Se você come um prato de refeição saudável, quando termina esse prato também não está com a saúde perfeita na hora. Essa é a falta de recompensa e resultado imediato”.

    Com o objetivo de tentar reverter isso, as três pensaram, em um primeiro momento, em criar um marketplace de produtos e serviços de fitness e bem-estar. Mas acharam que não era aquela a resposta. Foi preciso pivotar e buscar outro caminho. 

    Foi quando a gamificação entrou em jogo (com o perdão do trocadilho).

    “A gente criou um game para as pessoas transformarem a saúde e o corpo através de hábitos saudáveis diários”, diz ela. 

    “O jogo é basicamente composto por missões saudáveis, que são bons hábitos que a pessoa vai tendo que realizar ao longo do dia para conquistar os resultados que deseja, de saúde e de corpo”, conta. 

    As missões são todas personalizadas, baseadas no perfil físico do usuário – idade, altura, gênero, peso – e no objetivo final dele: fortalecimento, manter hábitos saudáveis ou emagrecer.

    Com essas informações, a solução da startup usa inteligência artificial – abastecida por dados de por profissionais de educação física, nutrição e psicólogos – para personalizar as missões para os usuários realizarem diariamente. 

    Isso permite que a RadarFit consiga gerar diversos gatilhos de recompensa, motivação e engajamento. O resultado é um ambiente interativo de entretenimento para que os usuários atinjam seus objetivos. 

    RESPOSTA ORGÂNICA SURPREENDENTE NOS TESTES

    Esse modelo de negócios do RadarFit tinha tudo para dar certo – e deu. Mas, mesmo com a gamificação, as empreendedoras sentiram que faltava algo: recursos e tecnologia. 

    “A gente precisava fazer a coisa com custo zero para testar, e criamos o ‘MVP concierge’. Realizamos esse teste antes de criar a plataforma com grupos de WhatsApp, divulgando para amigos e parentes o game ‘7 Dias RadarFit’”, conta Jade. 

    Imagens das telas do game fitness desenvolvido pelas empreendedoras

    “Em uma semana, com nenhum investimento em marketing, conseguimos praticamente 5 mil inscritos no desafio, de 13 estados diferentes”, relembra. 

    “Como a gente não tinha tecnologia, pedíamos para as pessoas mandarem fotos e vídeos para comprovar as tarefas saudáveis – como uma caminhada, que rendia cinco pontos e poderia ser provada através de um vídeo.” 

    No fim, esses pontos serviam para que as pessoas realizassem trocas por prêmios. Mais de mil sessões foram cumpridas – o que significou, para as mineiras. mais de mil fotos e vídeos para analisar. 

    O cálculo era realizado, diz Jade, “na unha” e com planilhas – e, com o fim do primeiro desafio, ficou claro que as pessoas queriam continuar utilizando a ferramenta. 

    “Depois desse período de teste, a gente conseguiu validar a solução. Entendemos que as pessoas estavam perdendo peso, mesmo com pouco tempo, tendo menos dor de cabeça e até expelindo pedras nos rins de tanta água que passaram a tomar. Mais disposição, mais qualidade de vida e mais resultados: validamos tudo”, comemora Jade. 

    BRINCADEIRA DE GENTE GRANDE

    Com a ideia validada, o futuro se desenhou para a RadarFit – e virou realidade. Um site foi construído e uma plataforma foi preparada com desenvolvimento tecnológico em cima da linguagem de games e códigos de jogos – que, hoje, é o aplicativo da RadarFit, um game de fitness e bem-estar para as pessoas transformarem a saúde e o corpo com hábitos saudáveis. 

    E a importância do MVP Concierge se dá até hoje: a maneira de comprovar a execução de tarefas, por exemplo, continua sendo por meio de fotos. A diferença é que saíram as planilhas e entrou a inteligência artificial. 

    “Hoje a gente tem um sistema de reconhecimento de imagem que analisa se essa foto contém o que foi pedido em cada missão”, conta a empreendedora sobre a tecnologia. 

    “Também temos a inteligência artificial que passa os treinos que as pessoas precisam fazer, a alimentação que precisam adotar nas missões nutricionais, a quantidade de água que têm que tomar ao longo do dia, calcula quantos passos a pessoa andou etc”, lista Jade. 

    “E assim a nossa tecnologia foi ficando robusta o suficiente para conquistarmos a escala que a gente vem buscando.” 

    PANDEMIA ANTECIPOU LANÇAMENTO DO MODELO B2C

    Hoje o modelo de negócios da RadarFit abrange tanto o B2B – um programa de saúde e bem-estar corporativo no qual os colaboradores usam o game e a empresa recebe um dashboard com resultados de melhoria na saúde deles e métricas de uso – quanto o mercado B2C, que acabou de se tornar disponível e é gratuito para os usuários nos primeiros sete dias. 

    Somados, esses dois meios contam com 30 mil usuários para a startup, que já passou pela Startup Farm em 2018, recebeu um investimento da aceleradora em 2019 e, no início deste ano, um investimento (com valores em sigilo) do fundo Domo, além de alguns investidores-anjo. 

    E, ainda que as fundadoras da RadarFit não comemorem a pandemia causada pelo novo coronavírus – por motivos óbvios –, o ano de 2020 foi muito fortuito para a startup. 

    A empresa viu um aumento da procura de pessoas por uma vida mais saudável dentro de casa – e uma inevitável oportunidade de mercado, já que academias ao redor do Brasil (e do mundo) estavam fechadas. 

    A estratégia da abertura para o público B2C, por sinal, nem era imaginada para 2020: aconteceu justamente por causa do isolamento e distanciamento social.

    Se o crescimento projetado para o ano era de 300%, os números mais que triplicaram. “Este ano, até setembro, a gente cresceu 1000% em relação a 2019 inteiro. 

    As novidades não param: a RadarFit acabou de lançar os Campeonatos Fitness. “A pessoa baixa o aplicativo e compete com outros jogadores ao redor do mundo – porque já estamos em 14 países, graças a uma parceria com o Gympass.” São campeonatos de 7, 15 e 30 dias, cada um com seu tempo e premiação.

    DIVERSIDADE, INCLUSÃO E PESSOAS EXCEPCIONAIS

    É raríssimo encontrar uma startup brasileira com três mulheres no corpo de fundadoras – e esse é um motivo de orgulho para a RadarFit. 

    “É uma bandeira que a gente levanta, não só de mulher como de diversidade. O que a gente busca para quem entra no nosso time, hoje, são pessoas excepcionais”, conta Jade.

    “Não olhamos gênero, orientação sexual, nada isso. Entendemos que, para conquistar resultados excepcionais, precisamos de profissionais excepcionais.”

    “E é claro que, com uma liderança feminina, nós somos muito mais abertas à contratação de mulheres do que outras empresas que têm uma liderança predominantemente masculina”, afirma. 


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