• “Healthtechs devem apostar em melhor experiência do paciente em 2021”

    Presidente da Associação Brasileira CIO em Saúde e CEO da Dr. Tis, Jihan Zoghbi destaca quatro tendências para o crescimento do ecossistema que ganhou protagonismo durante a pandemia
    Jihan Zoghbi | 26 abr 2021

    Um processo acelerado de transformação digital tomou conta do mercado de saúde com a chegada da Covid-19. Com os protocolos de distanciamento social, as healthtechs revolucionaram o relacionamento entre instituições de saúde, médicos e pacientes no Brasil – e mostraram que os avanços vieram para ficar. 

    Em um estudo feito pelo Distrito Dataminer com 542 startups que oferecem solução para o setor no Brasil, mais da metade opera há menos de cinco anos. “Com uma curva de amadurecimento mais longa que a de outros setores, as healthtechs, em grande maioria, ainda estão nos primeiros estágios de desenvolvimento”, concluiu a pesquisa.

    Se faltavam incentivos no passado, agora o cenário é outro. Desde 2015, os investimentos em startups de saúde receberam mais de US$ 40 bilhões no mundo todo. 

    Os gastos com o setor já chegam a 10% do Produto Interno Bruto global, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde. No Brasil, o percentual está em 9,2%, passando de R$ 600 bilhões em 2017, segundo a Agência IBGE Notícias. E essas cifras certamente serão impulsionadas com a pandemia.

    Por causa das mudanças de comportamento da sociedade no último ano e do aumento de aportes financeiros, a régua subiu para a qualidade dos serviços prestados, exigindo que as empresas se mantenham atualizadas constantemente. 

    A busca, agora, é por tecnologias que melhorem a experiência dos pacientes. As pessoas passaram a se preocupar ainda mais com a saúde e querem tomar a frente das decisões relacionadas ao tema. 

    Um exemplo disso é o crescimento do uso de wearables – equipamentos que podem ser usados no dia a dia, como relógios que monitoram pressão, batimento cardíaco e qualidade do sono. Para garantir a satisfação do cliente, aponto quatro tendências para o ecossistema de inovação em saúde que farão a diferença em 2021:

    1. Armazenamento em nuvem

    Se a jornada do paciente será híbrida – ou seja, presencial e remota –, é muito importante ter acesso ao seu histórico, incluindo exames de laboratório e de imagens. 

    Esse grande volume de informações precisa ser armazenado e compartilhado para tornar as consultas e orientações mais eficientes, ágeis e seguras. Para isso, além de conectados à internet, os dados precisam de um armazenamento seguro e escalável para garantir inclusão constante de arquivos, que serão acessados por muitos anos. 

    2. Wearables e IoT

    O uso de dispositivos vestíveis, os wearables – como relógios que medem o batimento cardíaco, a pressão e a qualidade do sono, por exemplo –, vem ganhando adesão de uma população que passou a dar mais importância para a saúde. 

    Esses equipamentos se tornam grandes aliados do acompanhamento médico, especialmente quando conectados a sensores, softwares e outras tecnologias integradas com sistemas da internet (IoTs, sigla em inglês para Internet of Things, a “Internet das Coisas”). 

    Esse comportamento é o que resultou no desenvolvimento de assistentes virtuais – como Siri, do sistema iOS, ou Alexa, do sistema Android. No futuro, vão alertar quando os sinais vitais de um paciente estiverem alterados, ajudando no controle de doenças crônicas. 

    Monitores cardíacos, oxímetros e medidores de glicemia poderão ser utilizados em teleconsultas para acompanhamento dos pacientes crônicos, agilizando diagnósticos.

    3. Inteligência artificial e big data

    Todas essas transformações tecnológicas passam a fazer mais sentido em sistemas capazes de processar o grande volume de informações gerado. Por isso, a importância da inteligência artificial e do big data, que tornam as análises mais automatizadas e eficientes. 

    Essas tecnologias liberam profissionais de atividades operacionais repetitivas e são capazes de auxiliar no diagnóstico de doenças, dando agilidade na tomada de decisões. 

    Outra vantagem é que, integradas ao sistema de saúde, são capazes de contribuir com um volume de dados relevante para impulsionar a área de pesquisas médicas.

    4. Aplicativo Web Progressivo (PWA)

    O PWA (Progressive Web App, ou Aplicativo Web Progressivo) é uma nova metodologia de desenvolvimento de software que permite a criação de páginas na internet que operam como se fossem um aplicativo. 

    Quando relacionada às plataformas de telemedicina, essa tecnologia significa agilidade. Um aplicativo instalado ocupa muito espaço no celular, tablet ou computador. São tantos aplicativos para baixar que as pessoas se incomodam. Por que criar mais uma barreira para o acesso à saúde? 

    Na Dr. TIS, optamos por não utilizar aplicativos. Basta conexão com a internet e o paciente e o médico acessam a plataforma de forma segura.

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    Jihan Zoghbi é presidente da Associação Brasileira CIO em Saúde (ABCIS) e CEO da Dr. TIS, startup da área da telemedicina e telerradiologia.


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