Conheça Kyleena, o DIU com a menor dose hormonal do mercado

Indicado para mulheres que não têm planos de engravidar no curto a médio prazo, novo produto da Bayer tem custos cobertos pelos planos de saúde.
Cláudia de Castro Lima | 20 out 2020

Há exatos 60 anos, uma turma improvável – formada por uma enfermeira feminista, uma bióloga milionária, um cientista e um médico ginecologista – foi a responsável por colocar no mercado a primeira pílula anticoncepcional. Em agosto de 1960, apesar de toda pressão contrária por parte da sociedade conservadora, o Enovid passava a ser comercializado como um método contraceptivo.

Mãe da Revolução Sexual, a pílula emancipou as mulheres ao permitir a elas ter relações sexuais sem ter medo de engravidar. Mas não foi só isso: permitindo o planejamento familiar, a inovação transformou a vida de mulheres, inclusive aumentando sua participação no mercado de trabalho, empoderando-as.

De 1960 para cá, uma série de tecnologias possibilitou que os métodos contraceptivos atendessem cada vez melhor aos interesses da mulher, levando em conta os vários perfis dela.

É nessa esteira que a Bayer lança o Kyleena, um dispositivo intrauterino menor do que os demais tipos existentes no mercado e com eficácia comprovada na prevenção da gravidez por até cinco anos.

A nova opção de método de longa ação também tem uma carga hormonal reduzida em relação ao outro produto da Bayer, que é bem conhecido no mercado, o Mirena. Assim, Kyleena é uma opção para as mulheres que desejam ter menos de menstruação, mas não desejam abolir o período de sangramento de suas vidas.

COMO ELE FUNCIONA?

O implante hormonal, o DIU hormonal e o DIU de cobre – ou os métodos contraceptivos de longa ação – têm bastante eficácia na proteção da gravidez não só por causa de sua tecnologia, mas também porque não dependem de a mulher lembrar de tomá-los ou usá-los para fazerem efeito.

Estudos mostram que, por não dependerem da ação das pacientes, esses métodos chegar a ser vinte vezes mais eficazes do que os de curta duração.

O Kyleena tem formato de “T” e é inserido no útero, onde libera diariamente uma pequena quantidade de levonorgestrel.

Esse hormônio deixa o muco cervical mais espesso, impedindo a progressão dos espermatozóides na cavidade uterina – e, consequentemente, a fecundação dos óvulos.

“Precisamos ter em mente o tempo que geralmente se leva para desenvolver um novo medicamento, que é em média de 10 anos”, afirma Thais Ushikusa, gerente médica de Saúde Feminina da Bayer.

“O DIU Mirena chegou ao mercado brasileiro em 2000. E esse tempo até o surgimento de um novo DIU hormonal de dosagem menor foi necessário para que entendêssemos os efeitos dentro do útero e pudéssemos desenvolver um reservatório de elastômero em seu núcleo, que libera o hormônio gradualmente em doses mais baixas sem perder a eficácia contraceptiva.”

MIRENA E KYLEENA: AS DIFERENÇAS

Segundo Thais, Kyleena quanto seu irmão mais velho Mirena não têm diferenças em relação à eficácia, que é de mais de 99%. Ambos são indicados para mulheres que não querem se preocupar em tomar a pílula diariamente, desejam baixa dose hormonal e que não pretendem engravidar no curto prazo.  

“O que os difere é principalmente a quantidade de hormônios e o tamanho: Kyleena tem a menor dosagem hormonal do mercado, com liberação diária média inicial de 12mcg/24h”, afirma.

Essa dose, diz a médica, é liberada diretamente no útero e resulta na menor dose de hormônios circulantes entre todos os métodos hormonais atualmente disponíveis, além de também o menor tamanho, o que facilita e traz mais conforto na inserção – o Kyleena tem 28 x 30 mm.

“Além disso, vale dizer que Kyleena possui um anel de prata para auxiliar na sua visualização pela ultrassonografia e diferenciação para outros DIUs.”

“Com isso, Com isso, Kyleena é uma opção contraceptiva altamente eficaz, com a menor dose hormonal que, com o passar do tempo de uso, reduz o fluxo e a cólica menstrual na maioria das mulheres.”

Por sua vez, o Mirena, além da contracepção, também é indicado para mulheres com Sangramento Uterino Anormal (SUA) sem patologia uterina. “Isso por ser o método hormonal que causa a maior redução de volume sanguíneo, chegando a reduzir o volume menstrual em até 97%, além de atuar como coadjuvante no tratamento de reposição hormonal na menopausa”, diz.

Eles são métodos reversíveis: a Bayer afirma que, quando param de usá-los, as mulheres podem engravidar tão rápido quanto outras que não utilizavam nenhum método previamente. 

PROBLEMA DA GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA

O objetivo do lançamento de Kyleena no Brasil, diz Thais, foi ampliar o leque de opções em contracepção para brasileiras, principalmente os de longa ação.

“Eles são os métodos atualmente recomendados pelas sociedades médicas como primeira linha de escolha por serem até 20 vezes mais eficazes do que os métodos de curta ação como pílulas, anel vaginal e adesivo”, afirma.

A gravidez na adolescência é considerada um problema de saúde pública no país. A taxa de gestação de brasileiras com idades entre 10 e 20 anos incompletos é alta: são 400 mil casos ano ano. 

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a sub-região da América Latina e do Caribe tem a segunda maior taxa de gravidez adolescente no mundo – na região, a taxa do Brasil é mais alta que a média.

Para a Bayer, os métodos de contracepção de longa duração deveriam ser uma das primeiras opções a ser discutida pelas jovens – afinal, nessa fase a gravidez não deve acontecer em um curto prazo. 

A OMS afirma que a gestação na adolescência é uma condição que eleva a prevalência de complicações para a mãe, para o feto e para o recém-nascido, além de agravar problemas socioeconômicos já existentes.

Outro benefício do Kyleena, segundo a Bayer, reside justamente no impacto financeiro que ele promove.

Colocando um DIU, as mulheres não precisam gastar todo mês com um método de curto prazo. Além disso, o DIU hormonal e o de cobre entram no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – ou seja, todos os planos de saúde devem cobrir tanto o produto assim como sua colocação.

A INOVAÇÃO NA BAYER

A gerente médica de Saúde Feminina da Bayer explica que, na corporação, o foco de inovação está concentrado em áreas terapêuticas com grande necessidade médica. “Nelas, mais inovações são necessárias, apesar do progresso considerável, como Oncologia, Saúde Feminina, Hemofilia e Cardiovascular”, diz Thais.

Para isso, a Bayer tem fortalecido seu portfólio por meio de parcerias externas em colaboração estreita com o mundo acadêmico, startups e a indústria, além de apostar em data science e tecnologia digital.

“Vale ressaltar que, na divisão farmacêutica, mais de 7.500 cientistas conduzem P&D em diversos locais do mundo, principalmente Alemanha, Estados Unidos, Japão, China, Finlândia e Noruega”, revela.

“O modelo de inovação da Farma foi realinhado em 2018, e basicamente segue os seguintes direcionamentos: expandir nossas atividades para incluir novas modalidades, tecnologias e inovação externa; entender profundamente os mecanismos das doenças nos campos onde há alta necessidade médica; e ter grande flexibilidade no nosso modelo de P&D e nossos recursos.”

A implementação do projeto está em andamento, afirma Thais, e em 2019 a Bayer alcançou seu primeiro milestone, ou evento significativo, em termos de acesso à inovação externa. Como exemplos, a médica cita a a aquisição da Blue Rock Therapeutics, empresa ativa na no campo de terapias celulares, e a recente aquisição da KaNDy Therapeutics, empresa de biotecnologia britânica.

“A KaNDy Therapeutics Ltd. completou recentemente a Fase IIb de um estudo com a molécula NT-814, um antagonista do receptor de neurocinina-1,3 oral não hormonal, com resultados positivos para o tratamento de sintomas frequentes de menopausa, ondas de calor e suores noturnos, os sintomas vasomotores”, explica Thais. O início do ensaio clínico de Fase III é esperado para 2021.

“Essa aquisição é um marco importante na ampliação do portfólio de saúde feminina da Bayer por meio de colaborações e acordos estratégicos”, diz a gerente.

“No início de 2020, a Bayer também anunciou a expansão de sua parceria com a Evotec com uma nova colaboração multialvo de cinco anos para desenvolver vários candidatos clínicos para o tratamento da síndrome dos ovários policísticos, o distúrbio endócrino mais frequente em mulheres.”


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