• Educação, autoconhecimento e “menstrual care” são as apostas da Yuper, marca de coletor menstrual 100% reciclável

    Elisa Spader a CEO da Yuper
    Adriana Gaz | 11 ago 2021

    Cerca de 30 milhões de mulheres menstruam no Brasil. O dado faz parte de um relatório da ONG Girl UP, que também mostra que elas gastam, ao longo da vida, de R$ 3 mil a R$ 9 mil com absorventes.

    Mesmo sendo algo natural, a menstruação ainda é alvo de muito tabu, desinformação e, o pior cenário, a pobreza menstrual, que deixa muitas mulheres sem acesso a absorventes ou higiene adequada.

    Em busca de um conforto maior para as mulheres menstruadas foi que nasceu a Yuper.

    Depois de passar por um aperto antes de uma prova de triathlon, a empresária Elisa Spader decidiu investir em uma marca de copo coletor que trouxesse diferenciais, como uma barra lateral que facilita na hora de inserir e não deixa o produto dobrar, e um cabinho maleável, que permite a colocação e a retirada do corpo com mais facilidade.

    Durante os estudos e pesquisas para o desenvolvimento do produto, Elisa se deu conta de que, mais do que um coletor, ela precisava trazer o assunto menstruação e os cuidados neste período à tona.

    “O gargalo não é o produto em si, mas sim a dificuldade em conhecer o próprio corpo. Queremos que as mulheres tenham informação para ter liberdade”, conta a empreendedora.

    A marca quer trazer os temas educação e autocuidado para a discussão feminina.

    A femtech, tipo de startup que por meio da tecnologia procura resolver problemas relativos ao universo feminino ou facilitar o dia a dia das mulheres, também criou um aplicativo para ajudar nestas questões.

    “O app possibilita o acesso a conteúdos ricos escritos por médicas e parceiras, informações de controle do ciclo menstrual e dicas de saúde e autocuidado”, explica Elisa.

    MENSTRUAÇÃO: UM PERÍODO DE AUTOCUIDADO

    A marca recém-chegada quer espalhar o conceito de “menstrual care”. “A ideia é enxergarmos o período da menstruação como um momento de autocuidado e não apenas de desconforto, vergonha ou limitações”, conta Elisa.

    “Ouvimos as dores das mulheres na criação do coletor e queremos ser um apoio, uma fonte de informação, não só um produto a mais nas prateleiras.”

    O coletor menstrual foi criado nos anos 1930 pela inventora norte-americana Leona Chalmers. Com a escassez da borracha na Segunda Guerra Mundial, os copinhos desapareceram.

    Na época, o produto também enfrentou a cara feia das mulheres, que, com a falta de intimidade com o próprio corpo, rejeitavam a ideia de inserir algo dentro da vagina.

    Hoje, é considerado por muitos médicos o dispositivo mais higiênico de todos os absorventes, pois não aumenta o nível de bactéria da flora vaginal, dificilmente causa infecções e alterações de PH.

    GAROTAS E O ABSENTEÍSMO DE 10% NAS AULAS

    Muitos anos se passaram e a tecnologia e praticidade deram um empurrão no uso do coletor, mas a falta de informação sobre a menstruação ainda é assustadora.

    Tanto que a Organização das Nações Unidas estima que 1 em cada 10 meninas se ausente da escola durante a menstruação.

    Uma enquete sobre saúde e dignidade menstrual realizada pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e pela UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), por meio da plataforma U-Report em todo o Brasil, mostra que a experiência de menstruar é vista como algo muito difícil por 2 em cada 10 mulheres.

    A conversa sobre cuidados na menstruação também é escassa entre as meninas de 13 a 24 anos. A pesquisa mostrou que, das 1,7 mil adolescentes e jovens ouvidas, 71% nunca participaram de aulas, palestras ou rodas de conversas sobre os cuidados neste período do mês.

    COLETOR É UMA OPÇÃO REALMENTE SUSTENTÁVEL

    Além de lançar o primeiro coletor menstrual 100% reciclável do Brasil, o reforço para o uso deste tipo de produto representa um avanço na questão de sustentabilidade.

    De acordo com a Menstrual Health Alliance India, um absorvente descartável pode levar de 500 a 800 anos para se decompor no meio ambiente.

    E, segundo a organização britânica Friends of Earth, a maioria desses produtos contém mais de 90% de plásticos – cada unidade equivale a quatro sacolas plásticas.

    “Apostamos em tecnologia, cuidado, praticidade e liberdade para mudar esse cenário. Estamos em uma crescente significativa e o coletor é uma opção sustentável e confortável”, diz Elisa.

    “Se há cinco anos apenas 1% das brasileiras usavam o copinho, hoje já temos cerca de 5% de mulheres que optam por ele”, afirma a empresária, que pretende bater nos próximos 12 meses a meta de R$ 10 milhões com a venda de seus produtos.

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