• Startup brasileira lança curativo que pode cobrir feridas por até sete dias

    Sócios da Nanobiocell: Cesar Miglioranzza, Janaína Howarth e Katiusca Miranda (Foto: Divulgação)
    Sócios da Nanobiocell: Cesar Miglioranzza, Janaína Howarth e Katiusca Miranda (Foto: Divulgação)
    Future Health | 22 set 2026

    A startup catarinense Nanobiocell divulgou o desenvolvimento da Safelayer, membrana regeneradora de biocelulose desenvolvida para acelerar a cicatrização e proteger lesões de pele. O curativo pode permanecer na ferida por até sete dias sem necessidade de troca, favorecendo um ambiente adequado para a regeneração do tecido.

    A partir da escuta de médicos, enfermeiros, pacientes, distribuidores e farmácias, a startup identificou uma oportunidade: desenvolver uma cobertura destinada ao tratamento de feridas de difícil cicatrização. Foi assim que nasceu a Safelayer, voltada ao tratamento de feridas crônicas e queimaduras. 

    Formada por nanofibras de biocelulose que criam uma película protetora sobre a lesão, o curativo ajuda a reduzir a dor e o risco de infecções, além de manter a hidratação da pele e absorver secreções. 

    A Nanobiocell, criada pelas pesquisadoras catarinenses Katiusca Wessler Miranda e Janaina Lisi Leite Howarth, participou da segunda edição do Programa Centelha e está na etapa final para levar a tecnologia ao mercado, apenas aguardando a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a comercialização da Safelayer.

    Após elaborar o primeiro plano de negócios durante a Jornada de Empreendedorismo, Desenvolvimento e Inovação (JEDI), a dupla de empreendedoras encontrou em programas de incentivo o apoio necessário para transformar a ideia em realidade. 

    “Tínhamos uma boa ideia, mas não tínhamos recursos para testar. Os programas mudaram isso. Por exemplo, com o Centelha montamos nosso primeiro laboratório de 16 m² em que produzimos a nanocelulose”, afirma Katiusca. 

    Com o apoio, além de estruturar seu primeiro laboratório, a startup realizou testes em escala de bancada e validou tecnicamente a solução antes de ampliar a produção.

    A empresa nasceu em 2020, quando as sócias eram professoras universitárias e pesquisadoras na área de biomateriais. Inicialmente, o plano era produzir nanocelulose como insumo para diferentes segmentos industriais, como alimentos, papel e celulose, têxtil e farmacêutico. Apesar dos resultados positivos nos testes, o modelo de negócio mostrou-se, inicialmente, pouco competitivo para atender a escala e os custos exigidos pela indústria.

    Virada de chave

    Atualmente, a Nanobiocell opera em uma fábrica de 140 m², com capacidade para produzir até 15 mil membranas regeneradoras por mês. A empresa está em nível TRL 6 (Technology Readiness Level), fase em que a tecnologia já foi validada em ambiente relevante, e aguarda a inspeção da Anvisa para obtenção da autorização de funcionamento. A expectativa é alcançar o TRL 9 até 2028, com o produto registrado e disponível comercialmente.

    Além da Safelayer, a startup também desenvolveu um curativo voltado ao tratamento de queimaduras de primeiro grau e queimaduras solares, com previsão de lançamento para 2027.

    Segundo Katiusca, o apoio de iniciativas de fomento sem fins lucrativos foi decisivo para superar um dos principais desafios das deep techs, empresas baseadas em pesquisa científica que exigem ciclos mais longos de desenvolvimento e altos investimentos antes da geração de receita. 

    “A Nanobiocell avançou por causa de programas de incentivo. Investimentos privados só vêm com a diminuição dos riscos – e o tempo necessário para reduzir os riscos em deep techs pode ser alto”, destaca.

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