• Síndrome do Coração Partido, Takotsubo mata tanto quanto infarto, afirma especialista

    Marcello Markus, pesquisador da Universidade de Greifswald (Foto: Divulgação)
    Marcello Markus, pesquisador da Universidade de Greifswald (Foto: Divulgação)
    Future Health | 20 maio 2026

    Atualmente, o Takotsubo, popularmente conhecido como Síndrome do Coração Partido, passou a ser visto sob novo paradigma: a condição não é mais considerada benigna.

    “Estudos mostram que a morbimortalidade do Takotsubo é comparável à do infarto agudo do miocárdio, o que reforça a necessidade de novas estratégias de diagnóstico e prognóstico”, afirma Marcello Markus da Universidade de Greifswald, na Alemanha.

    O ponto de partida para essa nova conclusão é a conexão cérebro-coração, evidenciada por casos em que acidentes vasculares cerebrais isquêmicos desencadeiam complicações cardíacas graves, revelando como eventos neurológicos podem precipitar respostas cardíacas de grande impacto clínico.

    Marcello Markus também chama a atenção para o fato de que as doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no mundo, apesar dos avanços científicos. “Fatores de risco como hipertensão, obesidade, diabetes tipo 2, colesterol elevado e tabagismo seguem altamente prevalentes, afetando bilhões de pessoas”, lembra. 

    Segundo ele, nos Estados Unidos, esses fatores contribuíram para a estagnação na redução das mortes desde 2010. “Em países de baixa e média renda, hábitos como má alimentação e sedentarismo estão associados a cerca de 75% dos casos, enquanto desafios como barreiras econômicas, diagnóstico tardio e envelhecimento populacional agravam o cenário: 85% das mortes concentram-se em nações com menos recursos”, completa. 

    “Coração partido” atinge mais mulheres

    Dados do International Takotsubo Registry (InterTAK) revelam que as mulheres representam 88% dos casos e os homens, 12% na média geral dos 20 anos analisados, de 2011 a 2021, embora tenha havido uma transição significativa ao longo do tempo. 

    Contudo, a proporção de pacientes do sexo masculino aumentou de 10% para 15% nos últimos anos. A mudança reflete maior reconhecimento da síndrome em homens e, possivelmente, diferenças socioculturais no diagnóstico. O trabalho reuniu 3.957 pacientes diagnosticados por quase 20 anos em 60 centros de saúde, distribuídos em 15 países.

    Para o cardiologista intervencionista Davide Di Vece, integrante do InterTAK e consultor do Hospital Universitário de Greifswald, na Alemanha, os dados abrem espaço para uma abordagem mais personalizada de diagnóstico e tratamento. 

    “Embora a incidência em homens seja menor do que em mulheres, eles costumam apresentar quadros mais graves e piores resultados clínicos. Essas informações ajudam médicos a identificar melhor os riscos e aprimorar os cuidados com cada paciente”, explica o especialista.

    O cardiologista também esclarece que a condição vai muito além de uma simples reação emocional. Pesquisas recentes apontam que o Takotsubo é uma síndrome complexa, ligada à interação entre o cérebro e o coração, com impactos reais na saúde cardiovascular. 

    Ele enfatiza que é preciso encarar os desafios de diferenciar o Takotsubo dos infartos, oferecendo caminhos para o tratamento e o seguimento dos pacientes. “Hoje sabemos que o Takotsubo pode causar complicações sérias e até risco à vida, exigindo monitoramento e tratamento cuidadosos”, explica Di Vece.

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