Saúde de qualidade a preço acessível: como a Assina Saúde usa a tecnologia para oferecer um serviço inovador

Com um modelo de assinatura acessível que oferece consultas mais baratas e desconto em serviços de saúde, o empreendedor Bruno Carvalho mira o público que não tem plano de saúde e depende apenas do SUS
Lucas Baranyi | 31 maio 2021

Bruno Carvalho cresceu cercado de empreendedores. Oriundo de uma família simples e grande (“dezesseis tios no total, nenhum com formação superior”), ele acompanhou desde seus primeiros anos as tentativas familiares de empreendedorismo. 

“Minha tia tinha buffet, os meus pais começaram a alugar o MicroSystem de casa, a coisa foi virando uma empresa para ampliar a renda da família e, de repente, virou mesmo uma empresa”, conta. Sobrou até pra ele, que se transformou em DJ da empresa, tocando nos eventos que aconteciam entre o final da década de 1980 e o início da de 1990. 

Mergulhar na história nos negócios familiares foi a tônica que levou Bruno a uma vivência de empreendedorismo e o transformou em um self-made man.

Foi a empresa criada por sua família, ainda na infância, que permitiu a Bruno cursar administração na Fundação Getulio Vargas, “a melhor do país”, em suas palavras. 

E ele credita a isso a oportunidade de criar a Assina Saúde, healthtech que pretende mudar os rumos da saúde no país, especialmente para quem mais precisa, com um modelo que oferece medicina de qualidade através de uma assinatura acessível, além de descontos em serviços.

PRIMEIRA EXPERIÊNCIA: UMA CLÍNICA MÉDICA POPULAR

Depois de ter trabalhado por quatro anos na Serasa Experian (parêntese para explicar que sua intenção era ficar apenas alguns meses, mas a empresa trouxe muita experiência para ele – e uma grata surpresa: foi lá que conheceu sua esposa), Bruno passou a gerenciar os negócios da família, que cresceram razoavelmente bem. 

Mas aquele não era o segmento em que ele queria atuar. Com o comichão do empreendedor coçando sem parar, decidiu que precisava encontrar outra área. “Não tinha impacto social nenhum, eu não estava feliz ali”, conta. 

“A minha esposa é médica e filha de uma família inteira de pessoas atuantes na área da saúde, então eu comecei a entrar em um mundo com o qual eu nunca tive contato.” 

Esse contato passaria a se tornar cada vez mais íntimo e profundo. Quanto mais Bruno entrava nesse mundo, mais percebia uma deficiência ali: a falta de experiência dos profissionais desse setor com administração. 

“Eu lembro que um dos médicos chegou para mim e falou: ‘Cara, eu queria muito abrir meu consultório. O que eu tenho que fazer para isso?’”, diz.

“Percebi que havia uma dificuldade enorme nisso. Os médicos brasileiros são reconhecidamente os melhores do mundo tecnicamente, mas, na parte administrativa e de expansão de negócios, são raros aqueles médicos realmente empreendedores.”

Ele começou a perceber muitos médicos interessados em abrir clínicas próprias, graças à ascensão da classe C e a uma maior demanda de pessoas buscando atendimento profissional com mais frequência – além de cada vez mais profissionais formados.

Ao se deparar com uma causa capaz de causar um imenso impacto social e uma oportunidade de negócios, Bruno não pensou duas vezes. O ano era 2014, e ele estava decidido a entrar de vez no setor da saúde. 

“Isso começou a me animar demais. Fiquei encantado com a possibilidade de trazer meu know-how de empreendedor e de gestão. Montei um plano de negócios e fui arriscar. Abri uma clínica popular em 2015, nos moldes do Dr. Consulta, ainda que eu não os conhecesse”, explica. Assim criou, com o amigo também administrador pela GV Roberto Paschoal, a Global Med.

Apesar de ter chegado a ser a segunda maior rede de clínicas populares de São Paulo, o negócio oscilava muito entre momentos ótimos e outros de muita dificuldade. Foi preciso parar e rever os planos – mas sem, em nenhum momento, abdicar da saúde. 

Bruno e Roberto investigaram tendências internacionais até encontrarem uma novidade oriunda da China. “Lá, você tem atendimento com muita base tecnológica. É possível fazer um atendimento com uma máquina e, se for caso simples, você nem fala com o médico. A máquina já tem o aprendizado dos casos mais simples e consegue fazer diagnósticos e até mesmo sugerir medicações”, lembra Bruno. 

Através do machine learning – e incluindo a ideia de contar com médicos capazes de validar certos diagnósticos e encaminhar procedimentos –, Bruno e o sócio enxergaram uma oportunidade de ouro. E fundaram, baseada na democratização que a tecnologia permite, a Assina Saúde.

O MODELO DA ASSINA SAÚDE

Em 2019, um ano antes de o mundo entrar na pandemia do vírus Sars-Cov-2 – quando telemedicina ainda era um assunto complexo, especialmente com a regulação brasileira –, Bruno decidiu criar um ambiente digital no qual as pessoas pudessem acessar uma série de médicos especialistas, conteúdos de medicina e atendimento por inteligência artificial. 

O primeiro teste aconteceu na sua própria rede de clínicas populares, para entender se a aceitação das pessoas à tecnologia seria positiva. A aceitação geral, segundo ele, ficou acima dos 90%. A Assina Saúde começava a tomar corpo. 

Os investimentos para colocar a healthtech de pé não vieram de grandes empresas, aceleradoras ou investidores-anjos: tudo saiu do bolso de Bruno. “Eu quebrei. Comecei a minha brincadeira empreendedora na área da saúde com três carros e um apartamento próprio e tive que vender tudo”, lembra. 

“De tanto que acreditava na ideia, cheguei para a minha esposa e falei: ‘Quero testar a tecnologia. Sei que já testei a parte de clínica popular, investi tudo que tinha, mas acredito muito nesse modelo de agregar tecnologia dentro do atendimento’. Ela topou e me deu um ano de deadline”, ri. 

Um ano depois, mas ainda dentro do deadline, Bruno recebeu o primeiro aporte, vindo do investidor Fernão Battistoni. “Ele já tinha investido em algumas fintechs e estava procurando healthtechs”, explica. 

Hoje, a Assina Saúde oferece, com um plano de assinatura a partir de R$ 49,90, telemedicina e outros benefícios de acompanhamento e monitoramento da saúde. Com ele, consultas médicas saem a partir de R$ 19 e há desconto de até 60% em exames e cirurgias e de até 50% nas principais farmácias.

O foco são pessoas físicas e pequenos empresários que não têm condições de arcar com um plano de saúde privado e que dependem do sistema público de saúde. 

O plano possibilita ainda consultas odontológicas e acesso a psicólogos e nutricionistas. A rede credenciada conta com mais de 25 mil clínicas e laboratórios em todo o país.

O modelo de negócios funciona, para médicos, de uma maneira muito similar a policlínicas do mundo físico: a ideia é oferecer tanto atendimento virtual quanto acompanhamento presencial de pacientes. “A Assina Saúde direciona o médico para vir às nossas clínicas físicas, dependendo de cada caso”, conta. 

Já o usuário da Assina Saúde passa por uma triagem completa – chamada por Bruno de “etapa de embarque” – para usufruir do serviço.

Um sistema de inteligência artificial faz uma série de perguntas para reunir informações relevantes e, com base nisso, encaminhar o atendimento para uma enfermeira (humana). 

“Por mais que a gente goste e acredite que o uso de tecnologia é o que vai popularizar o acesso à saúde no país, a gente não quer perder o calor humano, a humanização”, ressalta. “Queremos deixar os profissionais de saúde focados naquilo em que são bons, na técnica e na humanização, na atenção, na explicação do que o paciente tem e no cuidado que o assinante tem que ter com sua saúde”, explica.

MÉDICO DEDICADO: PLANEJAMENTO E MONITORAMENTO DA SAÚDE

A última etapa do processo envolve uma consulta com um médico dedicado, que pode ou não solicitar exames e outros encaminhamentos, a depender do perfil de saúde daquela pessoa. É ele que vai iniciar e monitorar o planejamento de saúde para o assinante.

Com todas as informações em mãos, o profissional de saúde categoriza aquela pessoa em um plano de cuidados. Se identificar que o paciente é diabético, por exemplo, a Assina Saúde oferece um plano específico para pessoas com doença crônica. 

“Se é uma gestante, vai ter um plano de cuidado para gestante. Se é um jovem sem nenhum risco de doença, vai ser cuidado como alguém que tem que manter o bem-estar”, exemplifica. “Nossa tripulação, que é o nosso time de saúde, acompanha e orienta ele ao longo da vida”, completa.

E o acompanhamento é literal: mês a mês a plataforma entra em contato com o paciente para saber como ele está – em caso de diabéticos, por exemplo, há a solicitação do preenchimento de dados para glicemia.

Se um paciente sente dores inesperadas, tem acesso a um time de saúde exclusivo, que conhece e sabe quem ele é e está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. 

Hoje, a Assina Saúde conta com 20 funcionários – 40, considerando a equipe médica. A healthtech recebeu, ainda neste ano, uma rodada de R$ 8 milhões da Astella Investimentos, e está aumentando cada vez mais rápido a equipe. A meta, segundo Bruno, é fechar o ano com 110 pessoas. 

O fim da pandemia – e uma possível complicação no que diz respeito à legislação de telemedicina no Brasil – não preocupa Bruno. “O que aconteceu com a pandemia é que se abriu um leque maior de possibilidades de atendimento. Se voltasse ao que era antes, não teríamos impacto no sentido de negócios, porque nosso modelo é híbrido, pressupõe também atendimento físico”, explica. 

“Então isso poderia implicar em darmos menos facilidade para nossos assinantes. Por isso seria um absurdo voltar para trás.” 

Tendo crescido seis vezes no primeiro trimestre de 2021 em relação ao primeiro trimestre de 2020, a Assina Saúde projeta fechar este ano com um faturamento anual de R$ 4,5 milhões – tendo saído do zero no início de 2019. 

Nada mal para a healthtech do homem que viu seus pais criarem uma empresa também do zero – e que, graças a ela, permitiu que uma nova startup oferecesse saúde de qualidade para os brasileiros.

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