• Por que a Pro Matre resolveu inovar e criar um centro de cuidado de saúde preventiva para mulheres?

    Segundo o diretor médico Rodrigo Buzzini, a maternidade evolui com a mulher há mais de 80 anos e percebeu a necessidade de acompanhá-la em momentos além da gestação – como na menopausa.
    Cláudia de Castro Lima | 19 fev 2021

    Quando, em 1936, a Pro Matre foi fundada como uma ideia de um grupo de médicos que procurava um local mais apropriado para atender gestantes, as mulheres viviam uma realidade bem diferente – mas que aos poucos se transformava.

    Elas ainda não podiam, por exemplo, trabalhar sem autorização dos maridos – apenas em 1943, com a consolidação das leis trabalhistas, isso mudou. Mas, dois anos antes, tinham conquistado o direito à licença-maternidade, embora ainda fosse apenas dois meses. Também podiam votar fazia quatro anos.

    De lá para cá, não sem muita luta, as mulheres foram mudando esse cenário de busca por mais igualdade. E, segundo o ginecologista e obstetra Rodrigo Buzzini, a Pro Matre sempre acompanhou essa evolução.

    Diretor médico da maternidade, Rodrigo conta que o Centro de Saúde da Mulher, inaugurado em novembro do ano passado, é o exemplo mais recente disso. 

    “A gente vem acompanhando como os papéis da mulher mudaram e como hoje tem mais destaque, posicionamento, poder de decisão. Nosso olhar é muito atento em relação a isso”, afirma. 

    “E, por isso, vimos a necessidade de acompanhar a mulher nas mais diversas fases da vida, não apenas no momento de ir à maternidade.”

    CENTRO DE SAÚDE: MEDICINA INTEGRATIVA É O FOCO

    O prédio onde funciona o Centro de Saúde da Mulher

    Localizado em frente à maternidade, o prédio do Centro de Saúde da Mulher tem como objetivo olhar a saúde feminina de forma integral e preventiva – e, por isso mesmo, com foco não apenas na saúde física, mas também psíquica e social. 

    O local tem serviços de nutrologia e nutrição, psiquiatria e psicologia, acupuntura e fisioterapia obstétrica (para apoiar a preparação para o parto vaginal). Além disso, conta com academia com foco na gestação (as atividades priorizam preparo do assoalho pélvico, fortalecimento da coluna e ajustes posturais, por exemplo) e puerpério (a reabilitação pós-parto).

    Outro serviço disponível lá é o Centro de Medicina Integrativa. Ele conta com diversas especialidades médicas e serviços complementares para cuidar da saúde feminina de forma integral e holística nas várias fases de sua vida.

    “A ideia era dar suporte para a mulher associando a saúde física à mental e à prevenção de doenças, com o conceito de medicina integrativa. Criar um espaço que fosse só dela, que entendesse a individualidade de cada uma”, diz Rodrigo. 

    Rodrigo afirma que muitos estudos mostram o quanto a nutrição na gestação ou até mesmo antes da concepção pode afetar a vida do bebê – inclusive até sua vida adulta. “O suporte todo para a mulher ajuda, no futuro, a dar a ela uma qualidade de vida melhor também”, diz.

    “O centro de saúde que surgiu tenta, portanto, abraçar a mulher antes do momento da internação e depois dele”, afirma. E continua: “Mas também em outros momentos, mesmo que não tenha relação com o parto, como no envelhecimento, na transição para o período menopausal, tudo que engloba a vida dessa mulher”. 

    DIRETORIA PARTICIPATIVA PROMOVE INOVAÇÃO

    O Centro de Visitação: uma réplica exata que respeita a barreira sanitária

    Em janeiro deste ano, por causa da pandemia de Covid-19, o Centro de Saúde da Mulher ganhou um novo espaço que contempla as barreiras sanitárias: o Centro de Visitação. 

    Ele conta com uma réplica da suíte de parto normal, com todos os recursos oferecidos pela maternidade e um apartamento de internação modelo. O objetivo é oferecer aos futuros pais a oportunidade de visitar as dependências da maternidade e conhecer a infraestrutura disponível sem que eles precisem passear pelos corredores do hospital – e sem, portanto, que corram riscos desnecessários.

    Segundo Rodrigo Buzzini, a criação do centro deve-se especialmente à diretoria participativa da Pro Matre.

    “A diretoria tem contato muito próximo com os médicos que fazem assistência”, diz ele. “E eles nos ajudam a entender como anda o atendimento, quais as necessidades das pacientes.” 

    As soluções de inovação vão sendo construídas assim, com envolvimento e participação de todos. “A primeira suíte LDR, de parto normal, que existe é nossa, por exemplo. Inovação é algo intrínseco”, afirma. 

    “Nós precisamos trazer coisas novas para continuarmos sempre sendo inovadores, para continuarmos sendo o cara da ponta, que puxa  o ritmo, que levanta o sarrafo, que dá o tom”, diz. 

    “Somos a maior autoridade no assunto de obstetrícia. E para que isso continue sendo como sempre foi, olhamos o mercado, como as coisas estão acontecendo, quais são as tendências. Estudamos tudo.”

    Segundo Rodrigo, todos os diretores publicam artigos e participam ativamente de estudos e congressos. “As coisas vêm capilarizadas para dentro do hospital. Brincamos que funcionamos no ‘ritmo Santa Joana’.”

    No caso específico do Centro de Saúde, diz Rodrigo, não houve benchmark por um motivo simples: “Não conhecemos um produto como este no mercado”. Tudo, portanto, nasceu da relação médico e paciente. “A história foi amadurecendo e ganhou corpo.”

    HISTÓRIA NA PRO MATRE COMEÇA ANTES DE NASCER

    A história de Rodrigo Buzzini está ligada à da Pro Matre muito antes de ele ser médico. “Sou filho de um médico obstetra e meu parto foi feito na Pro Matre”, conta. 

    “Eu vinha desde pequenininho com meu pai nos hospitais em que ele trabalhava. Passava visita com ele, com o carimbo dele na mão. Ficava doido de vontade de carimbar os papéis.”

    O ginecologista e obstetra cresceu, de fato, nos corredores do hospital. “Todo mundo chamava: ‘Dr. Buzzini’, e apontava para o meu pai. E eu olhava aquilo e achava o máximo.”

    Ele, no entanto, teve um breve affair com o jornalismo até decidir, de fato, que estudaria medicina – e, mais tarde, optou pela mesma especialização do pai, que fez no Hospital do Servidor Público Estadual, em São Paulo. Rodrigo tem também subespecialização em vídeo laparoscopia cirúrgica.

    Rodrigo e seu pai, Eduardo, hoje trabalham juntos. “Papai opera comigo”, diz ele. “Olha que delícia. Estamos juntos, ele de cabelo branco e eu começando a ter cabelo branco”, brinca.

    GRUPO SANTA JOANA TROUXE TECNOLOGIA

    Fundada em 4 de outubro de 1936, quando São Paulo ainda contava com poucos hospitais, a Pro Matre Paulista já registrou seu primeiro parto da data de inauguração. O prédio levou cerca de dois anos para ser construído, depois que médicos e professores de renomadas universidades paulistas decidiram que teriam um local para atender mulheres gestantes e nos primeiros meses pós-parto. 

    “Os obstetras precisavam de um local que fosse temático, que tivesse um atendimento de excelência na cidade de São Paulo”, conta Rodrigo.

    No ano 2000, a Pro Matre foi comprada pelo Grupo Santa Joana, maior conglomerado privado de maternidades da América Latina. 

    “Esse casamento sempre foi pautado pela excelência, alta tecnologia e disrupção”, diz. “O Grupo Santa Joana trouxe tecnologia de ponta, processos muito claros, o que tem de mais moderno. A gente conseguiu o selo da Joint Commission International”, ele afirma, sobre o mais importante órgão certificador de qualidade de instituições de saúde no mundo. 

    PANDEMIA FEZ POPULAÇÃO PERCEBER VALOR

    Referência em neonatologia, gestações múltiplas e de alto risco, a Pro Matre tem tomado uma série de ações para preservar suas pacientes durante a pandemia de Covid-19 que vivemos desde março do ano passado.

    “Tínhamos reuniões diárias com a liderança do hospital e todos os gestores para a condução das ações”, diz o diretor. “Tivemos o mesmo cuidado que dedicamos ao físico para transformar os produtos em digitais.” 

    Entre esses serviços, a maternidade oferece curso de gestante e orientação de aleitamento materno, por exemplo, de forma virtual. “Também, claro, adequamos todo o protocolo institucional, separando o fluxo de paciente com suspeita de doença, restringindo o número de acompanhantes e horário de visita, para diminuir a circulação de pessoas e preservar a segurança.”

    “Nos produtos digitais, quisemos dar ao paciente a facilidade de estar em contato com a maternidade, encurtando a distância, mesmo que de forma virtual.” 

    Para o diretor médico, a pandemia acabou sendo uma oportunidade de a população perceber que a Pro Matre é, na verdade, um grande hospital para mulheres. “Tudo o que um grande hospital geral tem, nós temos aqui”, explica. 

    “Temos toda a estrutura hospitalar necessária para os procedimentos com a mais absoluta segurança. A diferença é que todos os meus profissionais estão acostumados a cuidar só do universo feminino e do universo da gestante.”

    Os protocolos, afirma ele, são todos desenhados por especialistas no assunto. “Temos uma UTI neonatal que sempre foi referência, com 65 leitos destinados para bebês das mais diversas complexidades, tamanhos, idades gestacionais, prematuridades”, começa a enumerar. 

    “Temos uma unidade semi-intensiva, voltada ao alto risco, que são gestantes com patologia, mais velhas, gemelares, hipertensas, diabéticas e nefropatas, entre outras, com um grupo que cuida só delas.”

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