• Pré-diabetes pode ser revertido com diagnóstico precoce e mudanças no estilo de vida

    Monique Alves é gerente médica do programa Juntos pela Saúde, da Bradesco Saúde. (Foto: Divulgação)
    Monique Alves é gerente médica do programa Juntos pela Saúde, da Bradesco Saúde. (Foto: Divulgação)
    Monique Alves | 22 jul 2026

    O diabetes é causado pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo.  Antes da doença se instalar, há a condição de pré-diabetes.

    Dados do Atlas Global de Diabetes 2025, do International Diabetes Federation (IDF), indicam que cerca de 17 milhões de brasileiros são pré-diabéticos, com chance aumentada (em 50%) de desenvolver a doença no futuro.

    Além disso, cerca de 6 milhões sequer sabem que têm a doença, que pode ser inicialmente assintomática, conforme dados da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

    Essa condição, contudo, pode ser revertida a partir de um estilo de vida saudável, especialmente quando identificada precocemente. Alimentação balanceada e prática regular de atividades físicas, em muitos casos, normalizam a glicose.

    Estudos mostram que mudanças no estilo de vida podem reduzir o risco de evolução em até 58%, segundo o Diabetes Prevention Program (DPP), conduzido pelo National Institutes of Health (NIH) dos EUA.

    É bom lembrar que o pré-diabetes pode atingir pessoas de todas as idades, incluindo adultos, idosos e, também, jovens e adolescentes. Observa-se, inclusive, um aumento global de casos, principalmente associado ao sedentarismo, à alimentação inadequada e ao crescimento das taxas de obesidade. Diante desse cenário, o pré-diabetes é considerado um importante problema de saúde pública mundial.

    Principais sintomas

    A atenção aos sintomas ajuda na identificação do quadro. Conforme os Manuais de Semiótica Médica e o Mecanismo de Diagnóstico da American Diabetes Association (ADA), os principais são:

    • poliúria (produção e eliminação excessiva de urina, definida clinicamente em adultos como um volume superior a 3 litros em um período de 24 horas);
    • polidipsia (sede excessiva, intensa e persistente, que não passa mesmo após a ingestão de grandes quantidades de líquidos);
    • polifagia (fome excessiva, insaciável e persistente, que não desaparece mesmo após a pessoa comer grandes refeições);
    • perda de peso inexplicada;
    • desidratação;
    • cansaço;
    • infecções recorrentes (candidíase e periodontite);
    • má cicatrização de feridas.

    Se não tratado, o pré-diabetes pode evoluir para o diabetes tipo 2, o mais comum na população adulta e idosa. O diagnóstico de pré-diabetes se confirma ao detectar uma hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue).

    Hábitos saudáveis: caminho para reversão

    A combinação de dieta + exercício + perda de peso é a abordagem mais eficaz para prevenir a progressão para o diabetes tipo 2 e reduzir os riscos das complicações em órgãos como coração, rins e fígado. O comportamento indicado tem como base os seguintes pilares, segundo recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD):

    • Alimentação equilibrada;
    • Atividade física regular (150 minutos/semana);
    • Perda de peso (quando necessário);
    • Sono adequado e controle do estresse.

    O tempo necessário para controlar o pré-diabetes varia de pessoa para pessoa e, para normalizar os níveis de glicose, devemos considerar fatores que influenciam diretamente nos resultados, como adesão às mudanças, peso inicial e idade e genética.

    Entre os que aderem ao estilo de vida saudável, é possível observar melhora relativamente rápida:

    • 4 a 12 semanas: redução da glicose;
    • 3 a 6 meses: normalização dos níveis de glicose no sangue;
    • 1 ano: consolidação dos resultados com manutenção de hábitos.

    Dra. Monique Alves é gerente médica do programa Juntos pela Saúde, da Bradesco Saúde.

    Confira Também: