• Marcus Figueredo, da Hilab: “A falta de massa crítica em hard science é um desafio. O que nos EUA se faz em um dia, aqui leva um mês”

    Na segunda parte do primeiro episódio do FH Talks, o empreendedor (foto) e David Schlesinger, CEO da Mendelics, falam sobre os entraves que impedem que a saúde desenvolva todo seu potencial no país
    Cláudia de Castro Lima | 19 nov 2020

    Um aparente paradoxo afeta o empreendedorismo em saúde no Brasil. Ao mesmo tempo que o setor passa por uma série de transformações e inovações, ele ainda é bastante conservador. 

    “A saúde sempre foi muito conservadora em relação a aderir à inovação”, diz Marcus Figueredo, fundador e CEO da Hi Technologies, que oferece ao mercado a solução Hilab, um laboratório de análises clínicas que uniu a atuação humana à tecnologia para oferecer exames com resultados rápidos. 

    A afirmação do empreendedor ocorreu em um bate-papo com David Schlesinger, fundador e CEO da Mendelics, o primeiro laboratório do país dedicado à análise genômica, com foco principalmente em diagnóstico clínica. Os principais trechos da conversa viraram o primeiro episódio do FH Talks, programa do Future Health que vai trazer, todos os meses, grandes nomes da inovação na saúde debatendo sobre tendências.

    “Isso faz sentido”, continua Marcus, “porque estamos lidando com a vida das pessoas e a segurança dos pacientes é um fator que não podemos ignorar. Mas algumas tecnologias, como a própria telemedicina, que poderia ter sido adotada após discussões de cinco, viraram discussões de 20 anos.”

    Para David, a questão regulatória é de fato um problema enorme no país. Mas o desafio maior é, segundo ele, em relação à falta de massa crítica. “Há hoje uma oferta excedente, que não é preenchida, de 600 mil vagas de programadores no Brasil”, conta.

    Marcus concorda com o colega. “Quando várias empresas desenvolvem o mesmo tipo de tecnologia, ou pesquisam no mesmo nível, fica mais fácil, porque talentos saem de uma empresa para outra e cria um ecossistema”, diz. 

    “No Brasil, isso é muito espaçado. As empresas vão desistindo ao longo do tempo. Tudo vai ficando mais devagar. O que aqui levaria um mês para fazer, nos Estados Unidos leva um dia.”

    Dê um play no vídeo abaixo para assistir ao bate-papo.


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