Fevereiro é o mês de conscientização sobre a leucemia, doença que deve registrar mais de 12 mil novos casos no Brasil entre 2026 e 2028 – a projeção é do Ministério da Saúde e do Instituto Nacional do Câncer (INCA). A estimativa é de que 52,7% desses casos ocorra entre homens e 47,3% entre mulheres.
“Leucemia não é uma doença única. Existem diferentes tipos, com comportamentos e tratamentos específicos”, afirma Philip Bachour, hematologista e coordenador do Serviço de Transplante de Medula Óssea e Terapia Celular do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
“Por isso, a rapidez na investigação e a definição correta do diagnóstico são determinantes para o sucesso do tratamento”, completa.
Acesso rápido a exames e especialistas é decisivo
O tempo é fator decisivo na jornada do paciente com leucemia. O acesso rápido à avaliação especializada e a exames precisos permite identificar precocemente a doença e classificar corretamente o tipo de leucemia, etapa essencial para a definição da estratégia terapêutica.
Exames laboratoriais avançados, incluindo análises genéticas e moleculares, possibilitam compreender com precisão o perfil da doença.
Quando realizados de forma ágil, esses exames transformam o tempo em aliado, ampliando as chances de controle da leucemia e melhorando os desfechos clínicos.
Diagnóstico preciso para tratamento direcionado e ágil
Um diagnóstico correto é base para decisões rápidas e eficazes no tratamento. A classificação adequada do tipo de leucemia permite indicar terapias específicas desde o início e, quando necessário, encaminhar o paciente sem demora para o transplante de medula óssea. Esse cuidado evita atrasos, reduz o risco de tratamentos inadequados e impacta diretamente na resposta clínica e na qualidade de vida do paciente.
Quando o diagnóstico é feito de forma correta e no tempo certo, é possível agir com mais precisão desde o início do tratamento, aumentando as chances de bons resultados.
Avanços e desigualdades no acesso ao tratamento
O tratamento da leucemia evoluiu nos últimos anos e hoje inclui quimioterapia, terapias-alvo e terapias celulares, de acordo com o perfil de cada paciente. No entanto, o acesso a esses recursos ainda é desigual no Brasil, com diferenças importantes entre o sistema público e o sistema privado de saúde – desigualdade que impacta nos desfechos clínicos.
Um estudo brasileiro publicado em 2024 na revista científica Blood, uma das principais publicações internacionais da American Society of Hematology (ASH), analisou 235 pacientes com leucemia mieloide aguda (LMA) tratados nos dois sistemas e evidenciou disparidades relevantes.
A mortalidade precoce foi de 26,8% no sistema público, contra 9,8% no sistema privado.
A sobrevida global mediana foi de 7 meses entre pacientes atendidos na rede pública, comparada a 22 meses no sistema privado, além de uma sobrevida livre de progressão significativamente menor no Sistema Único de Saúde (SUS).
“Esses dados mostram que o acesso ao diagnóstico adequado e a terapias corretas não é apenas uma questão de estrutura, mas um fator que interfere diretamente na chance de sobrevivência do paciente”, afirma Bachour.
Os resultados do estudo indicam que fatores como menor acesso a exames moleculares avançados, como painéis de sequenciamento genético (NGS), e a disponibilidade limitada de terapias inovadoras contribuem para diagnósticos menos precisos e tratamentos menos individualizados no sistema público. Mesmo pacientes mais idosos e com maior número de comorbidades apresentaram melhores desfechos quando tratados em serviços privados, evidenciando o impacto do acesso à estrutura especializada.
“Fevereiro Laranja é uma oportunidade para reforçar que informação de qualidade, diagnóstico preciso e acesso ao tratamento adequado podem mudar o curso da doença e a vida dos pacientes”, conclui o especialista.
