• Democratizar o atendimento psicológico é o objetivo da Zero Barreiras, que atende cerca de 10 mil pessoas por mês

    As psicólogas Christiane Valle e Patricia Lenine, sócias do Zero Barreiras
    Adriana Gaz | 25 ago 2021

    Em março do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a pandemia de Covid-19. Desde então, muitos de nós fomos arrancados de nossas rotinas e, além de encarar o home office, as aulas online dos filhos e a sobrecarga de trabalho, enfrentamos o medo de nos contaminar e até morrer da doença.

    Os impactos da crise sanitária se revelaram cruéis para a saúde mental da população do mundo todo.

    Para os brasileiros, que já ocupam o primeiro lugar no ranking mundial de casos de ansiedade, o isolamento social, o confinamento prolongado e a instabilidade econômica fizeram disparar os transtornos da mente.

    Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) trouxe um dado alarmante: 92,2% dos entrevistados apresentaram sintomas de depressão desde que tudo isso começou. 

    O estudo realizado com 2.624 pessoas também apontou que 51% dos participantes tiveram sintomas de ansiedade e 52% de transtorno de estresse pós-traumático.

    Os dados encontrados são similares em todo o país. Com esse quadro, cresceu a demanda por psicoterapia. E o modelo de tratamento online ganhou fôlego e adeptos. 

    Tanto que a Zero Barreiras, plataforma que oferece atendimento exclusivamente virtual, viu seus negócios crescerem 1.700% na pandemia. 

    A empresa, criada em 2017 com foco em doentes crônicos, aumentou seus atendimentos mensais de 450 para quase 10 mil somente em 2021. 

    O número de profissionais subiu de 30 para mais de 300, divididos em 20 especialidades. Hoje a Zero Barreiras atende principalmente empresas, mas também cuida de pessoas físicas que se cadastram pelo site.  

    FERRAMENTAS PARA LIDAR COM O ESTRESSE

    “Com as famílias reunidas em casa, muitas com diminuição na renda e ainda sem ajuda doméstica, as brigas se intensificaram e a saúde mental piorou, sobretudo nas mulheres, que ainda enfrentam a violência doméstica em alguns casos”, relata a psicóloga Christiane Valle, umas das fundadoras do negócio, que tem a também psicóloga Patricia Lenine como sócia.

    “A psicoterapia trabalha as questões emocionais a partir do diálogo, oferecendo abordagens construtivas e ferramentas para lidar com problemas e a resolver as questões desejadas.”

    Christiane explica que o diferencial do atendimento é a qualidade das consultas, realizadas por profissionais preparados e treinados. 

    Entre eles, 40% são seniores, com mais de 20 anos de formação. Para os recém-formados que prestam atendimentos, a plataforma oferece palestras, cursos e supervisão. Além disso, todos passam por uma avaliação periódica feita pelos pacientes.

    Juntamente com a consulta online, é possível acessar o psicólogo por canais como o WhatsApp, diante de um combinado: o cliente manda quantas mensagens achar necessárias, mas o profissional responde uma vez ao dia.

    TECNOLOGIA PARA POPULARIZAÇÃO DA PSICOTERAPIA

    Christiane, que sempre se dedicou a trabalhos voluntários, viu no meio do caos da pandemia, uma oportunidade de popularizar o tratamento psicológico, tanto pela facilidade de acesso, como pelo valor acessível. A plataforma oferece pacotes a partir de R$ 70 a consulta. 

    Os pacientes vêm de todo o Brasil e até do exterior. “Cuidamos de pessoas na Suíça, Espanha, Estados Unidos, Portugal, Holanda e Austrália”, diz. 

    “As preocupações e tristezas com o desenrolar da pandemia trouxeram momentos difíceis para todos. E temos que buscar alternativas para não sucumbir. A terapia ajuda muito a encontrar esse equilíbrio”, explica ela.

    A empresa oferece a primeira consulta grátis, para que seja possível entender as dores do paciente e direcioná-lo a um terapeuta adequado. 

    Nos clientes corporativos onde atua, a Zero Barreiras viu muita gente que nunca teve contato com nenhum tipo de terapia se beneficiar com os resultados proporcionados pelo tratamento psicológico. 

    “Muitas organizações contrataram os serviços para um grupo específico de colaboradores e acabaram abrindo a possibilidade para toda a empresa”, relata. 

    “Vimos os casos de depressão caírem significativamente e isso é uma recompensa incrível. Não há alegria maior do que ver que estamos realmente fazendo a diferença na vida das pessoas.”

    SAÚDE MENTAL: UM PROBLEMA MUNDIAL

    Apesar de figurar no topo do ranking mundial da ansiedade, o Brasil não está sozinho nos problemas de saúde mental potencializados pela pandemia. 

    Segundo a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), braço da OMS, doenças como a depressão atingem mais de 300 milhões de pessoas ao redor do planeta. 

    Mesmo com tratamentos eficazes para o problema, menos da metade dos afetados no mundo (em muitos países, menos de 10%) recebe tais tratamentos. Os obstáculos incluem a falta de recursos, de profissionais treinados e o estigma social associado aos transtornos mentais.

    A necessidade de cuidados com a saúde mental ficou escancarada durante a pandemia, especialmente quando o problema se torna uma condição crítica de saúde e pode até desencadear o suicídio. 

    A OPAS alerta que cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano, sendo essa a segunda principal causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos.

    “Democratizar o acesso a processos terapêuticos é mais urgente que nunca. Temos resultados importantes e relatamos casos de empresas que reduziram as taxas de casos de estresse e a ansiedade extremamente severos de 22% para 0%”, conta a psicóloga.

    “Notamos que aprender a gerenciar e lidar com essas questões aumentou a qualidade de vida e o sentimento de realização dos colaboradores, além de ter reduzido o grau de severidade dos casos.”

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