• Conheça quatro doenças ginecológicas que podem impactar a fertilidade

    Graziela Canheo e Paula Fettback, ginecologistas
    Graziela Canheo e Paula Fettback, ginecologistas
    Future Health | 24 jun 2026

    A infertilidade já é um problema de saúde pública mundial. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) demonstram que uma em cada seis pessoas enfrentará dificuldades para engravidar ao longo da vida.

    No Brasil, cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva convivem com a infertilidade.

    Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 40% dos casos têm origem feminina, 40% masculina e os demais 20% envolvem fatores combinados ou causas não identificadas.

    Especialistas alertam que algumas doenças ginecológicas capazes de comprometer a fertilidade evoluem silenciosamente e são descobertas apenas quando a mulher decide engravidar.

    “Falar sobre fertilidade é falar sobre planejamento reprodutivo. Muitas mulheres recebem informações sobre contracepção, mas poucas entendem como a fertilidade muda ao longo dos anos”, explica Graziela Canheo, ginecologista especialista em reprodução humana da La Vita Clinic.

    A médica lista algumas das principais condições ginecológicas relacionadas à infertilidade:

    Endometriose

    Uma das principais causas de infertilidade feminina, provoca um processo inflamatório crônico que pode comprometer ovários, trompas e útero. “Cólicas menstruais intensas, dor durante a relação sexual, dor pélvica e alterações intestinais relacionadas ao ciclo menstrual merecem atenção”, alerta Paula Fettback, ginecologista especializada em reprodução assistida pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

    Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP)

    A condição hormonal e metabólica pode alterar a ovulação e dificultar a gravidez. “Algumas mulheres passam a ovular de forma irregular ou deixam de ovular, principalmente quando a síndrome está associada à obesidade e resistência à insulina”, explica Graziela Canheo.

    Miomas e adenomiose

    Dependendo do tamanho e da localização, os miomas podem dificultar a implantação embrionária. Já a adenomiose provoca inflamação crônica no útero. “Essas alterações podem reduzir as chances de gravidez e aumentar o risco de perdas gestacionais”, afirma Paula Fettback.

    Infecções ginecológicas e inflamações pélvicas

    As inflamações podem causar alterações nas trompas e no ambiente uterino, impactando diretamente a fertilidade. Segundo Graziela, “corrimentos persistentes, dor pélvica, sangramentos excessivos e desconfortos recorrentes nunca devem ser normalizados”.

    Outros fatores que impactam a fertilidade feminina são: adiamento da maternidade associado ao aumento da obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de álcool e estresse crônico.

    “O cigarro acelera a perda da reserva ovariana e hábitos de vida inadequados interferem diretamente na qualidade dos óvulos e na ovulação”, destaca Paula Fettback.

    Segundo as especialistas, o diagnóstico precoce influencia os resultados reprodutivos e tratamentos como indução da ovulação, inseminação intrauterina, fertilização in vitro (FIV) e congelamento de óvulos ampliam as possibilidades para mulheres que apresentam condições clínicas adversas.

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