• Como o Bella Materna está usando a tecnologia para revolucionar o atendimento neonatal (mamães, papais e bebês agradecem)

    Ricardo Franco, o idealizador e CEO do Bella Materna, que disponibiliza um time de 180 profissionais para atender gestantes e mães de bebês até 2 anos 24 horas por dia
    Cláudia de Castro Lima | 5 nov 2020

    O que faz um pai de primeira viagem quando, em uma noite, seu filhinho de 1 ano chora tanto, mas tanto que parece que está perdendo o ar? Desesperado, Ricardo Franco pegou a criança, saiu de sua casa em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e dirigiu até a capital, para o pronto-socorro do hospital em que confiava.

    Lá, depois de esperar um precioso tempo para ser atendido, Ricardo viu o médico abrir a boca do filho e a mostrar para ele, dizendo: “Olha, pai, está nascendo um dentinho”.

    Sentindo-se um tanto envergonhado, Ricardo pensou em como seria interessante se existisse uma plataforma que oferecesse informação de qualidade para os pais, “sem gerar o risco e o custo que idas sem necessidade ao hospital proporcionam”, conta.

    No fim de 2016, Ricardo idealizou a plataforma da qual é hoje o CEO, que se chama Bella Materna e é um programa de atenção via chat ou videochamada para gestantes, mães e bebês de até 2 anos.

    Na época, ele ainda era presidente no Brasil de um laboratório americano de produtos voltados para mulheres grávidas e que amamentam.

    “Entendi nessa experiência o quanto o consumo de grávidas está ligado à emoção”, afirma.

    Além disso, ele observou que o blog que o laboratório mantinha para suas usuárias havia virado, em suas palavras, “mais uma terapia de grupo do que um canal para tirar dúvidas em relação ao produtos”. “O excesso de informação é um problema também, porque gera angústia”, afirma.

    Quando a empresa foi vendida, Ricardo viu finalmente a oportunidade de empreender. “Estava pensando em uma solução para propagar produtos, mas percebi que a solução que eu tinha era de saúde populacional”, afirma. “Ela deveria fazer o relacionamento das mães com um time de profissionais.”

    INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E GAMIFICAÇÃO

    Usando inteligência artificial, o Bella Materna entrega aos usuários conteúdos assertivos referentes a cada semana de gravidez ou a cada semana do desenvolvimento do bebê.

    Aos oito meses de gestação, uma mulher vai entender o que está acontecendo com ela naquele momento. Caso tenha uma gestação de alto risco, a mãe é monitorada seguindo protocolos específicos.

    A gamificação é outro artifício usado pela plataforma, para estimular as boas práticas de saúde, como consultas pré-natal para gestantes e vacinações em dia para os bebês.

    Um grupo de 180 profissionais, entre enfermeiros, nutricionistas e consultores de amamentação, está à disposição para consultas de mães e pais a qualquer hora do dia.

    “Somos uma ferramenta de acolhimento que conecta gente com gente, acompanhando e monitorando toda uma jornada, para que tenhamos cidadãos mais saudáveis e felizes por toda a vida”, afirma Ricardo.

    Em 2018, quando o aplicativo estava no ar, Ricardo recebeu uma mensagem pelo LinkedIn. Era da enfermeira obstetra Simone Nascimento, então coordenadora da área materno-infantil do Hospital NotreDame em Guarulhos, na Grande São Paulo.

    “Ela disse que havia adorado a plataforma e que também estava louca para empreender. E virou minha sócia”, ri Ricardo. “Ela trouxe a disciplina e todo o protocolo que seguimos hoje no Bella Materna.”

    A enfermeira obstetra Simone Nascimento, sócia da plataforma

    EMPRESAS CONTRATAM PARA OFERECER COMO BENEFÍCIO

    Segundo o CEO, o modelo de negócios do Bella Materna é B2B: empresas contratam a solução para ofertar a seus colaboradores como benefício. Entre seus clientes estão companhias como Unimed, Eurofarma, Danone, Votorantim e Oi, entre outras.

    “O RH dessas empresas também está olhando para a economia que geramos com os planos de saúde, porque uma consulta ao Bella Materna pode evitar despesas médicas”, diz Ricardo.

    “Segundo informações de um cliente, para cada R$ 1 investido na plataforma, 91 centavos retornam como economia.”

    Em fevereiro do ano passado, o Bella Materna recebeu R$ 600 mil de investimento de uma empresa de tecnologia. Agora abriu a segunda rodada, com o objetivo de captar R$ 1,5 milhão. “Vamos aproveitar o momento porque, com a pandemia, nossos usuários se acostumaram com soluções digitais.”

    O empreendedor espera usar o recurso para expandir a plataforma. “Não somos uma solução de telemedicina”, explica ele. “Somos um programa de acompanhamento dos 1000 dias do bebê, no qual a telemedicina é uma das ferramentas.”

    Ao criar a possibilidade de diminuir a distância entre os médicos e pacientes, afirma Ricardo, soluções como o Bella Materna trazem tranquilidade e maior controle para as gestantes. “O foco é evitar idas desnecessárias ao hospital, visando a saúde da mãe e do bebê com informação profissional.”

    AMPLIAÇÃO DA FAMÍLIA BELLA MATERNA

    Quando diz que quer aproveitar a mudança de hábito da população em relação aos serviços digitais, Ricardo refere-se ao boom que sua plataforma teve durante a pandemia.

    O Bella Materna, que atendia em média 140 chamados por dia, atualmente faz de 250 a 300 atendimentos diariamente. O mês de março registrou um recorde: 8.500 pessoas atendidas.

    A startup previa fechar o ano de 2020 com um faturamento de R$ 850 mil, mas, como a demanda cresceu significativamente, a estimativa subiu para R$ 1,5 milhão.

    Para 2021, Ricardo espera poder abrir novos mercados. “Queremos nos posicionar como ‘o’ presente ideal do chá de bebê”, revela. “A ideia é lançarmos um voucher para ser oferecido como presente com acesso a um mês ou um ano da mãe à plataforma.”


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