• Acesso à saúde por crowdfunding? Com o centro digital Rita Saúde, Grupo Sabin inova modelo de negócio

    Lídia Abdalla, a presidente do Grupo Sabin
    Cláudia de Castro Lima | 7 jul 2021

    Todos os dias, o pai da gaúcha Rita Lobato Freitas a levava até a Faculdade de Medicina da Bahia e, pacientemente, ficava esperando as aulas acabarem, sentado em uma praça, para voltar com a filha para casa. Foi assim até a garota, que entrara aos 17 na universidade, formar-se aos 21.

    Dedicada, Rita conseguiu, usando um artifício legal de fazer provas do ano imediatamente posterior ao que frequentava, abreviar os seis anos de estudo necessários para receber o diploma de médica. E assim, em 1887, foi a primeira mulher formada em medicina do país. 

    Não é à toa, portanto, que Rita foi o nome escolhido para a nova solução de saúde lançada pelo Grupo Sabin recentemente. “Talvez o que esperassem é que o nome fosse hi-tech, associado a digital, a tecnologia”, afirma Lídia Abdalla, presidente executiva da companhia. 

    “Mas essa não é a cara do Sabin – e, sim, humanização, liderança feminina”, conta ela sobre a companhia fundada por duas mulheres, as bioquímicas Sandra Costa e Janete Vaz, e que tem 77% de seu quadro funcional composto pela força feminina. 

    “Além de ter sido a primeira mulher médica formada no Brasil, Rita foi ativista feminista e atuou na política. Essa é também uma forma de homenagear todas as mulheres trabalhadoras do país.”

    A solução Rita Saúde é um centro de saúde digital que foi criado com o objetivo, segundo Lídia, de democratizar e ampliar o acesso à saúde de qualidade para os brasileiros. 

    Para isso, o serviço oferece uma plataforma de telemedicina integrada a registros de saúde, o que permite a interação da equipe médica durante toda a jornada de cuidados do usuário. 

    Mas, apesar de toda a tecnologia, a maior inovação não está aí. Está, sim, na possibilidade de um modelo de financiamento diferenciado: o crowdfunding. Por meio dele, pacientes, empresas ou iniciativas da sociedade civil podem oferecer acesso a pessoas que não o têm. 

    “Como negócio e para continuar sendo relevantes e competitivos no mercado, temos que constantemente inovar”, diz a executiva. 

    Segundo Lídia, a Rita Saúde veio nessa nossa jornada de inovação, tanto trazendo a digitalização, que está transformando os negócios do setor, como oferecendo um serviço que gera valor para o paciente e o coloca no centro do cuidado. 

    “Nosso setor só vai ser sustentável a médio e longo prazo se a gente de fato cuidar da saúde e não da doença.”

    O QUE RITA NÃO É: PLANO DE SAÚDE OU CARTÃO DE BENEFÍCIOS

    O médico Fernando Uzuelli chegou ao Grupo Sabin em agosto de 2020 para assumir a coordenação da nova solução. 

    “É muito importante dizer que nós não somos plano de saúde”, afirma, com veemência. “Não trabalhamos com sinistralidade adversa, com construção de rede, desempenho de ação, nada disso.”

    O head da Rita Saúde diz também que a solução não é um cartão de benefício. “Diferentemente deles, que têm auxílio funerário, desconto em posto de gasolina e por aí vai, nosso contexto está focado em melhorar e ampliar a jornada do paciente”, explica. “A proposta é ser um ecossistema de saúde.” 

    A plataforma de acesso à saúde, conta ele, tem como principal negócio o centro de saúde digital, cujo foco é o cuidado integral – o que, segundo Fernando, significa: “Se o paciente não veio, nós temos que ir atrás dele”. 

    Por meio da Rita, o usuário pode marcar consultas online e contar com uma equipe de saúde que acompanha sua jornada. Ele também tem descontos em todas as unidades Sabin para análises clínicas, exames de imagem e vacinas e acesso a uma rede de médicos especialistas a preços acessíveis. 

    “O objetivo de várias plataformas que surgiram recentemente é lucrar em cima do transacional que acontece no marketplace”, diz Fernando. “Nossa proposta é um pouco diferente. Para a gente é muito mais importante ter um cliente no longo prazo do que em um único exame ou atendimento, por exemplo”, explica. 

    “Se o consumidor do centro de saúde digital precisa de um atendimento, pode ir até esse marketplace, que tem uma curadoria específica. Eles são médicos qualificados e com reputação, que fazem o atendimento alinhado com os nossos valores.”

    O produto é vendido por uma assinatura a R$ 39,90. Há uma opção de plano econômico, a R$ 9,90 mensais, que oferece apenas os descontos nas unidades Sabin e consultas médicas com uma tabela especial.

    O plano é que o usuário possa também comprar medicamentos com descontos. “Já temos uma parceria com a Droga Fuji [do Distrito Federal] e a ideia é fortalecer outras com drogarias regionais”, conta Fernando.

    Rita Saúde: o centro digital de saúde do Sabin

    CROWDFUNDING: MODELO INOVADOR PARA AMPLIAR ACESSO

    A grande inovação do Rita Saúde, segundo Fernando e Lídia, vai além da construção do ecossistema de serviços. Ela reside na possibilidade do sistema de crowdfunding. 

    “Está presente aí a conexão com responsabilidade social do Grupo Sabin”, afirma Lídia. “Já tínhamos muita demanda de clientes que nos procuravam afirmando que queriam pagar um exame ou procedimento para outra pessoa ou para uma instituição. O próprio Instituto Sabin, muitas vezes, oferecia esse acesso.” 

    Agora, Rita permite isso. “O indivíduo pode ter uma carteira digital pela  qual pode receber recursos para utilizar com saúde e também transferir esses recursos para outras pessoas”, conta Fernando.

    “Esse é o grande atrativo para que as pessoas entendam que, mesmo com recurso enxuto, elas podem mais”, diz o head. 

    A plataforma também conta com outra ferramenta, o cashback. “A cada necessidade de consulta, exame ou medicamento, parte daquela compra volta para a carteira digital da pessoa, ampliando a capacidade de pagamento”, explica. 

    O dinheiro da consulta pode, assim, ajudar com o medicamento necessário. O dinheiro do remédio, com o exame. “E, assim, a gente consegue ampliar a jornada do paciente.” A solução tem previsão de entrar no ar agora no início do segundo semestre. 

    Com investimento inicial de mais de R$ 5 milhões, o centro de saúde digital já nasce com uma base de 60 mil clientes vinculados a projetos sociais do Grupo Sabin. 

    Com o novo negócio, que funciona no modelo B2B2C, o grupo espera atingir mais de 1 milhão de pacientes até o próximo ano. A previsão de receita a médio prazo, entre 2 e 5 anos, está entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões ao ano.

    Presente em 54 cidades, o Sabin conta com mais de 5.500 colaboradores e atende mais de 5 milhões de clientes por ano, que têm à disposição um portfólio com 3.500 opções de produtos e serviços de análises clínicas, diagnósticos por imagem, vacinação e check-up executivo.

    “A tecnologia é uma ferramenta poderosíssima para o acesso, porque rompe com as barreiras geográficas. Nesse produto estão presentes inovação, qualidade, ética, responsabilidade social – e simplicidade”, afirma Lídia.

    “O nosso tagline da marca é justamente esse: simples como a saúde merece ser”, conta Fernando.


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